quarta-feira, 22 de abril de 2009

Amores de all star

Um ombro dolorido por carregar uma bolsa grande com livros, máquina fotográfica e tudo que possa caber. As pernas da morena estavam friorentas por causa da saia e os pés doloridos pela mania de usar all star sem meia. Já era noite, ela desceu as escadarias do metrô desviando das pessoas que subia na contramão e em uma curva de parede e outra havia um rapaz encostado, à espera de alguém. Seria apenas mais um rapaz se não fosse a maldita semelhança com um ex: a maneira como ele olhava o celular, o jeito como o óculos pairava sobre o nariz, a calça jeans... seria ele se houvesse tatuagem no antebraço, mas não tinha tatuagem, não era o ex... Graças a Deus pois seu coração subiu pela boca e uma sensação ruim subiu lhe o corpo e depois sumiu, prosseguindo a caminhada até a catraca. Passa o bilhete único, desce mais uma escada agora rolante e pronto, o próximo metrô estava à caminho. Ela poderia chegar em casa tranquila, sem novidade se não fosse agora um rapaz bonito, de orelhas alargadas e barba." Ú que coisa linda!"E mais linda ainda é a maneira em que ele a notou, com os cantinhos dos olhos castanhos. Nada é tão prazeroso quanto ser notada por alguém que nos encanta, mesmo que seja nestes breves amores de metrô. Felizes, eles desceram na mesma estação, caminharam em passos quase sincronizados e ficaram esperando outro metrô... esta vida de paulista é uma viagem só. Mas como diz o ditado, alegria de pobre dura pouco, uma menina esguia usando um all star com meia ficou ao lado da garota da bolsa enorme. Ela ficou no meio do rapaz das orelhas alargadas e a menina esguia, com o coração partido no meio do fogo cruzado de olhares. O breve romance havia desfeito. Ela estava no topo de um triângulo amoroso. Teria o rapaz dos alargadores uma queda por garotas de all star? Ninguém sabe. Pobre garota; o ombro voltou a doer, os pés voltaram a incomodar... tudo que ela havia esquecido por minutos, voltou com força maior. Isso até o outro metrô chegar com uma nova surpresa: um outro rapaz. Ela devia estar muito bonita neste dia, pois é raro ela ser notada duas vezes no mesmo dia ou ela mesma perceber que alguém a nota. Um novo romance começa com o rapaz que ela apelidou de " cara com cara de pinguim". Ela ria por dentro achando graça no rapaz alto, com barba e nariz fino. Beleza ela via nele. Ele também via beleza na morena. E eles ficaram alí, um olhando para o outro, causando ciúmes, quem diria, no moço de alargador que sem mais sem menos, voltou a observar a morena do all star sem meia. Agora era ele que ficava em meio ao fogo cruzado de olhares. A menina esguia havia atendido o celular com um " Oi amor, tô chegando", desiludindo o rapaz. Logo, o cara de pinguim desceu na estação Sé... a morena de all star sem meia voltou a olhar o rapaz de alargador que já havia cansado de brincar platônicamente e em seguida desceu na estação São Bento. A morena de bolsa grande e all star sem meia, sem amor nenhum agora, termina a longa viagem descendo na estação Luz. Pois bem, sempre há uma luz no fim do túnel...


Jordana Braz

4 comentários:

O lado quente do ser disse...

Há de ter sempre uma luz, mesmo no metrô cúbico de um abrigo qualquer. Os amores que temos na vida passam sem sentimos que eles já passaram, mas sempre sabemos que eles passaram por aqui, pela vida, pela estrada ou pelo tren de um metrô na avenida paulista, nos subsolos brasilienses ou linhas que estejam trilhadas para passar e passam.
belo texto
Um grande abraço

Nathália Monte ;D disse...

kkkkkkk
esses amores de busão,metrô..eu tenho preguiça deles!!afinal nao vai da em nada neh..enchi o sacokkk
beijO chuchu

♫Pri disse...

Putz!!!
Simplesmente que prendeu minha atenção esse conto.
Não sabia que escrevias conto também.Além de poetisa, contista! Olha só!

Gostei mesmo...
Há amores...só não sabemos em que estação estão.

Muitos beijos querida!

Cássia Oliveira disse...

Ah, linda história. Metrô, São Paulo... quase um filme, uma minissérie. Adoro breves amores, olhares repentinos. Um beijo!