sábado, 25 de dezembro de 2010

Espírito Natalino

Vermelho, dourado e o verde plástico da árvore de natal. Não é sua data favorita, é aniversário de Jesus e talvez nem ele mesmo saiba disso; para o consumo, inventa-se de tudo. Mas não é isso que a incomoda hoje, talvez seja o que menos incomoda. Em uma completa escuridão, ela pensa no que o amigo havia lhe dito pelo telefone:

- Ele a ama como Chico Buarque amaria.

Naquela altura da noite escutar sobre qualquer coisa seria apenas um fato, jamais ela poderia imaginar que alguém que foi tão fácil esquecer, traria o sentimento de lama. Por mais forte que ela possa ser, sente-se como uma criança com medo e que usa o cobertor para se esconder, não há nada que ela consiga enfrentar sem antes chorar de medo. Imóvel na cadeira e olhando para o nada, apenas a luz do monitor do computador lhe trouxerá a luz agora. O que pensar neste momento? Talvez nada, talvez levantar da cadeira e ir comer o que sobrou da farta ceia, talvez dançar para esquecer.

- O mais fácil a se fazer é repensar sua postura quando o assunto é solidão. - Disse aquela voz da consciência.
- O mais fácil é pensar minha postura quando o assunto é solidão! Nossa é isso !- Disse a moça, como se fosse algo que jamais havia pensado. Descruza as pernas que já estão dormentes e começa lentamente o impulso para levantar-se. Fica de pé, coça os ombros e olha o relógio.
São 21:28. Será que existe hora para um recomeço? Ela se vê sem nenhum propósito pois já entendia sobre solidão, havia planejado ir ao cinema sozinha no dia seguinte. Segue dois passos à diante e pára. Estufa a barriga e percebe os quilos que ganhou com a tal solidão. Continua os passos e chega ao banheiro. Acende a luz e se aproxima do espelho, vê pêlos nascendo no buço.

- Essa não! - Balbucia enquanto passa os dedos sobre a face.

Afasta-se do espelho e se despe. Liga o chuveiro, entra debaixo dele e fecha a porta do box. Não conseguia pensar como seria repensar sobre a solidão, sabia apenas que ela começará o hábito do abandono. Sua vaidade resumia apenas em escovar os dentes. Não poderia continuar assim. Termina o banho, enxuga-se e sai do banheiro que deixou com o piso molhado. Veste uma roupa qualuqer e volta para a cadeira que deixou sob a luz do monitor. Continua 21 horas mas agora com 44 minutos. Repensar sobre a vida é tão dificil. Sempre subestimou seus ex mas eles parecem muito mais felizes sem ela. Sua solidão a fez crescer sim, conseguiu mais tempo para as atividades que exigem mais seu tempo e sua mente enquanto o coração sonha com alguém para pensar 24 horas. Desliga o monitor, empurra a cadeira e segue para seu quarto com uma pinça e caixa de esmaltes nas mãos. Em plena noite de Natal ela irá esquecer de tudo, para cada pêlo arrancado com a pinça, um tópico sobre o abandono e solidão será desvendado. Definitivamente ela não está resolvida e terá como promessa de ano novo ser mais realista sobre o que é ser sozinha.








Jordana Braz

Um comentário:

Sergio Martins disse...

Linda Jordana, gostei muito desse texto! Também fiz uma série de texto sobre o Natal e o ano novo em meu blog. Adorei teu blog e estou te seguindo, caso queira seguir-me também, veja:http://asvozesdomar.blogspot.com/

Paz e amor!

Abç!