É para acalmar o coração,
uma escrita e uma folha de papel.
Não há o que corrigir, o esboço é a obra em si.
Em mim,
delicado, imaturo, ágil e esguio.
Uma força do pensamento, uma paz que não experimento,
um reflexo de cada movimento que toca o chão sem fazer barulho
e distancia-se de tudo o que já fui.
É o tempo enrustido por solidão
e que tem o bordão mais sincero do mundo:
Antes só do que mal acompanhada.
Jordana Braz
sexta-feira, 20 de maio de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
Esmalte
O rosa colonial que preenche o espaço neutro de minhas unhas, o tom de rosa tutti-frutti do chiclete de minha infância e que são os mesmos tons, não os mesmo mas semelhantes, ao tom do rosa do lápis que usei para rabiscar algumas palavras. Talvez isso tenha feito meus sentimentos ficarem mais sossegados. É como se fosse um suspiro que tomasse forma, um descontentamento com as coisas que não estão direitas, uma cobrança de buscar por aquilo que ainda está em planos. A pressa de querer tudo para hoje, a boa sorte de primeira acertar, uma lacuna que se forma e se preenche apenas com a experiência de cair e levantar, um termo bêbado. Tudo vai bem para quem não está dentro de mim, tudo está morno para quem sou eu. Meus fragmentos de vida estão mornos, não há um sentido majestoso para tudo. Quando criança, o rosa tutti-frutti era o tom ideal para colorir minhas lngas unhas no dia em que eu fosse mulher, era uma sensação tão boa saber que um dia eu iria crescer e ter longas unhas. Era majestoso o encantamento que a minha mente tinha para quando chegasse esse dia. Hoje, se soubesse que somente ás vezes sentiria esse encantamento quando tivesse longas unhas, desejaria apenas viver em um encantamento eterno. Enfrentar demais a realidade é a verdade nua e crua, porém, a sensação que ela lhe causa, além do amadurecimento, é de estar diante de um abismo. (Jordana Braz)
terça-feira, 8 de março de 2011
Outros carnavais
Sentada sem postura, vejo a entrada da quarta-feira de cinzas e como queria eu poder espanar toda a camada grossa destas cinzas. Pulei carnaval, meu lado profano sequer mostra sinais de arrependimentos e meu lado sagrado não existe. Com os olhos entreabertos e um leve sono, sinto a madrugada gelada me tocar como se quisesse me levar até a cama e me fazer dormir. Boa quarta-feira e quisera eu espanar suas cinzas, essas de outros carnavais pois a recente tive aquele tipo de paz que é o sinônimo de liberdade. Já tive bons carnavais e os carnavais que saia para os blocos com um fio transparente chamado paixão; tola. O melhor é quando se sabe que esse fio só depende de nós mesmos para o corte. Desilusão corta tudo e os dias que sucedem são surpresas boas ou premeditadas. O mundo dá tantas voltas... e beirando o fim de noite, percebi que risada de ser ex é a risada mais gostosa que existe. É um misto de superação com vingança ou apenas a consequência, assim soa melhor e sem maldade também. Entre cochilos e bocejos, sinto que há alegria nestas cinzas, alegria de foliã, alegria de quem já amou e uma simples alegria semi-reciclável e por isso, sinto que algumas pessoas mudam mas pecam sempre pelos mesmos e já avisados pecados. Do meu bom riso mais cedo, percebo que não se pode apostar sempre no tradicional. O ato de apostar move a vida para a frente. Apostei comigo mesma se conseguiria ser melhor sem ele e consegui, consigo. Amor super bacana e moderninho já deu pra mim e não combina com minha folia. Hoje é quarta-feira de cinzas, a quaresma começa e essas tradições que não entendo seguem, colocando outra atriz no papel que já foi meu, o de mocinha sonhadora. No fim do carnaval pude rir sem vergonha de me sentir bem por perceber que já estou na frente daquela que um dia fui e que quem me fez mal lá atrás, paga com o seu próprio veneno... mas isso foi em outros já passados carnavais.
Jordana Braz
Jordana Braz
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Artigo feminino
Meu útero é um astro rei e mulheres são divinas,
carregam uma estrela na barriga,
no ventre.
Vênus é nosso e todo o sitema existe por nós
Talvez por isso alguns seres de marte nos temem.
Coitados, esquecem que a força bruta não supera a força do psicológico feminino; sabe a hora certa de usar a razão e não erra quando o guia é a intuição. Genuinamente antenada com o cosmo, com a mãe natureza e os misteriosos ciclos naturais. Demorou para o mundo criado pela força braçal perceber que somos tudo em um corpo, em uma só essência com cheiros distintos.
A 'emancipação feminina' citada pela chiquinha, Sailor moon e todos os sabores das spice girls; como foi bacana ver de forma lúdica que quando eu crescesse, poderia ser o que eu quisesse, só dependia de mim. Não vou gerar nenhum fruto que não seja pela minha escolha, por gratidão à vida e pela minha espécie. Não vou ser mais uma a usar de maneira errada o ser feminino. Para aquelas mulheres que minimizam o seu ser para um rótulo qualquer, lástima. Não vou me esconder atrás de costas largas, carro e dinheiro. Me apoio na minha moral sem ser moralista, regras não são aplicáveis de maneira igualitária pois as histórias não são as mesmas mas para mim, a regra de se manter fiel a eu mesma é aplicavél a qualquer circunstância. Sou mulher, sangro e dou muito valor a isso. Não é papo de mulher auto-suficiente, é apenas um relato, um desabafo.
Cansei de ver mulheres que não sabem o que é a palavra dignidade e que por algum acaso, poderiam ser eu. O que me difere das demais? Cara, como é dificil entender as coisas mas infelizmente algumas coisas eu não consigo deixar quieto.
Jordana Braz
carregam uma estrela na barriga,
no ventre.
Vênus é nosso e todo o sitema existe por nós
Talvez por isso alguns seres de marte nos temem.
Coitados, esquecem que a força bruta não supera a força do psicológico feminino; sabe a hora certa de usar a razão e não erra quando o guia é a intuição. Genuinamente antenada com o cosmo, com a mãe natureza e os misteriosos ciclos naturais. Demorou para o mundo criado pela força braçal perceber que somos tudo em um corpo, em uma só essência com cheiros distintos.
A 'emancipação feminina' citada pela chiquinha, Sailor moon e todos os sabores das spice girls; como foi bacana ver de forma lúdica que quando eu crescesse, poderia ser o que eu quisesse, só dependia de mim. Não vou gerar nenhum fruto que não seja pela minha escolha, por gratidão à vida e pela minha espécie. Não vou ser mais uma a usar de maneira errada o ser feminino. Para aquelas mulheres que minimizam o seu ser para um rótulo qualquer, lástima. Não vou me esconder atrás de costas largas, carro e dinheiro. Me apoio na minha moral sem ser moralista, regras não são aplicáveis de maneira igualitária pois as histórias não são as mesmas mas para mim, a regra de se manter fiel a eu mesma é aplicavél a qualquer circunstância. Sou mulher, sangro e dou muito valor a isso. Não é papo de mulher auto-suficiente, é apenas um relato, um desabafo.
Cansei de ver mulheres que não sabem o que é a palavra dignidade e que por algum acaso, poderiam ser eu. O que me difere das demais? Cara, como é dificil entender as coisas mas infelizmente algumas coisas eu não consigo deixar quieto.
Jordana Braz
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Manu Chao
Acordar brasileira todos os dias é uma faca de dois gumes: temos sol em pleno fevereiro e temos velhos e maus costumes. Sim, nossa cultura é folgada e só pensamos no coletivo e no bem dele quando nosso espaço está garantido. Porém, não existe apenas nosso espaço, já que estamos em um coletivo e nisso não digo em transporte mas para tudo. Existem outros espaços para todos os lados e eles merecem respeito. Ceder ás vezes não é ruim porém saber quando se torna abuso fica feio.
É estranho eu amar tanto nossa cultura mesmo ela sendo folgada, já que o que há faz folgada são as pessoas, sempre elas. O brasileiro é folgado por hábito e isso é ensinado mas passível de ser desaprendido. É habito jogar lixo no chão, fazer fofoca, não ceder lugar para idosos, bancar o esperto furando fila ou apertando ou simplesmente 'roubando' espaço no público em shows quando se chega atrasado. Essas coisas tão ridículas que se tornam até engraçadas acontecem TODOS OS DIAS e acabam com um dia que poderia ser perfeito. Confesso que por morar 'longe' da capital e utilizar cptm para ir onde eu preciso, me atraso ás vezes mas nem por isso quero tirar vantagem onde não tem: se chego atrasada em algum lugar, faço questão de não atrapalhar o que já havia começado sem mim. É coisa simples, bom senso! E é o que falta no mundo hoje: pessoas de bom senso, honestas consigo e com os demais.
Talvez eu esteja puta porque consegui ver apenas 30 minutos de Manu Chao por causa disso; cheguei cedo para o show, garanti um bom lugar porém vi inteiro um bom maracatu e apenas 30 minutos do Manu Chao, verdadeira razão de eu estar lá. Não combino com má educação, não combino com panelinhas e não combino com pseudos qualquer coisa. Sai de lá cansada e triste com tanto desperdício de cultura, brasileiros como eu mas que não fazem valer a grandiosidade da nossa cultura e fez feio para gringo ver.
Jordana Braz
É estranho eu amar tanto nossa cultura mesmo ela sendo folgada, já que o que há faz folgada são as pessoas, sempre elas. O brasileiro é folgado por hábito e isso é ensinado mas passível de ser desaprendido. É habito jogar lixo no chão, fazer fofoca, não ceder lugar para idosos, bancar o esperto furando fila ou apertando ou simplesmente 'roubando' espaço no público em shows quando se chega atrasado. Essas coisas tão ridículas que se tornam até engraçadas acontecem TODOS OS DIAS e acabam com um dia que poderia ser perfeito. Confesso que por morar 'longe' da capital e utilizar cptm para ir onde eu preciso, me atraso ás vezes mas nem por isso quero tirar vantagem onde não tem: se chego atrasada em algum lugar, faço questão de não atrapalhar o que já havia começado sem mim. É coisa simples, bom senso! E é o que falta no mundo hoje: pessoas de bom senso, honestas consigo e com os demais.
Talvez eu esteja puta porque consegui ver apenas 30 minutos de Manu Chao por causa disso; cheguei cedo para o show, garanti um bom lugar porém vi inteiro um bom maracatu e apenas 30 minutos do Manu Chao, verdadeira razão de eu estar lá. Não combino com má educação, não combino com panelinhas e não combino com pseudos qualquer coisa. Sai de lá cansada e triste com tanto desperdício de cultura, brasileiros como eu mas que não fazem valer a grandiosidade da nossa cultura e fez feio para gringo ver.
Jordana Braz
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Ensaio sobre namorado
É libertador olhar para o ontem e perceber que não existe nada que nos prende ao tempo, passamos por ele como um vento. Conhecer alguém e ter a possibilidade de ter alguém pra si é normal, a mente tem um pé na ilusão. Já olhei para tantos e na mente senti que seriam os homens da minha vida. Eu sempre ensaio gostar de alguém e eles sempre ensaiam ser meu namorado, como se o futuro fosse um grande concerto de ópera. Passam os minutos após o encontro, sempre penso como foi bacana e imagino como será a próxima vez, logo, os além pensamentos surgem como dúvidas. Talvez eles não deram sinais, talvez eu esteja vendo a mais do que realmente é e assim, meu entusiamo esfria, volto a ser que eu era. Não há nada que me prenda e todos os encontros são apenas um momento. Não há romantismo, só existe o desejo que ele existisse e só, preciso quebrar os espelhos. Não existe o meu oposto tão semelhante a mim.
Jordana braz
Jordana braz
domingo, 2 de janeiro de 2011
Dedo neutro
Decobri que sou feroz, felina e sei machucar os sentimentos de alguém. Não havia percebido o quanto é pesado esse sentimento. É estranho e quente, sinto meu rosto pegar fogo mas meu corpo ficar frio, arrepiado. Parece que eu já previa ou devia estar mais atenta na astrologia. Minha mãe sempre dizia que eu era uma menina malcriada. Hoje adulta, ela não diz mais nada pois sabe que quem me avalia agora são apenas minhas vivências. Talvez seja culpa, me senti meio que chutando cachorro morto e isso não se faz, já perdi tantos cães e sei o quanto me entristece imaginar alguém chutando eles sem vida. É essa a questão central: nunca apontar o dedo para alguém porque com isso, terá quatro ou três indo em sua direção (isso depende da posição do polegar, ele é o dedo neutro da história) e dentro das tais vivências, descobri que aquele que mais critíca é o mais infeliz, quer mudar o mundo porque não se muda. Quem não muda com o tempo, aqueles que os dias passam e continuam sentados, estacionados. Sempre temi ser assim e temo, não gosto de ser a mesma pessoa sempre. Posso seguir o mesmo caminho que percorri mas estarei mudando minhas pegadas. O mais foda é que existe sempre alguém ao redor que é assim, seja irmão, tia, amigo das antigas ou alguém que a gente esbarra por aí. Precisei ser feroz e felina, me conformo agora. Não dá para ver alguém dizer besteira sem ao menos conhecer e sem ao menos parar um pouco e perceber o quanto infeliz está. Não sou a dona da verdade de ninguém, da minha verdade tenho parte dela. Prefiro nunca estar convicta pois a vida é perecível.
Jordana Braz
Jordana Braz
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