Justificável seja qualquer ato relacionado à intensidade.
Tudo que começa lá no topo cai rapidamente.
É pesado.
Qualquer humano está sujeito a isto, há as regras que tentam inibir, proibir ou proteger.
Mas se este qualquer ser humano for uma mulher, que escute blues, soul, R'nB desde cedo e que cante como as grandes divas do passado, a intensidade é apenas um complemento.
Amar demais um homem e declarar abertamente em canção a morte do singelo coração.
Voltar ao negro, para a escuridão.
Antes disso era apenas um nome de homem.
Talvez seja besteira, talvez seja um instinto.
Mas eu sinto isso com pena e com alegria:
Existiram mulheres da minha geração que souberam ser únicas.
(dedicado para Amy Winehouse)
Jordana Braz
sábado, 23 de julho de 2011
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Ócio Afetivo
Sinto que já nasci viúva, sei lá, é um sentimento estranho. Parece que a salvação afetiva se encontrava anos luz antes de eu nascer. Minha viuvez não se resume apenas em relacionamento, me sinto viúva nos costumes, no modo de pensar tudo. É realmente estranho. Acho gracioso pensar que ainda há muitas coisas para inventar, a criatividade humana pode ainda ser inédita. Sinto saudade onde o pouco era muito, as pessoas deturparam a palavra ambição. Cansei das cores digitais, prefiria as cores analógicas e o preto e branco da Tv. As canções tão poéticas diziam tudo e tinha o gostinho delicioso de serem proibidas. Minha época é uma vadiagem, não existem mais malandros. Rede social poderia ser uma simples rede num lugar amplo onde os verdadeiros amigos estariam interagindo juntos e ali, sem o risco de ter uma página como sua representação. Eu sou viúva, já disse! Toda vez que conheço rostos e trejeitos de sujeitos como Marc Bolan, sinto que aquele espírito livre que gostaria de encontrar agora já existiu anos antes e que estes rebeldes já morreram. Com trinta anos ontem, você viveria o que equivale os 45 anos hoje. Minha geração é infantil. Homens barbados e mulheres feitas com medo do mundo, presos em seus quartos e numa adolescência que já se fez poeira. É dificil, não consigo esperar mais nada do que a certeza de que tudo tem validade. Não há quem possa ser um cúmplice como meus avós foram um com o outro. Esse tal amor é descartável. Sou viúva do gostinho de quero mais, esperar uma madrugada para ver um simples clipe na MTV e ainda registra-lo no VHS. Hoje em dia os hits duram segundos, antigamente eram minutos. Sou viúva, me sinto velha e cansada. Eu nasci assim e os dias só agravaram esse meu estado de ócio afetivo, já não consigo gostar das coisas como gostava antes. O problema está em mim mas a causa é gritante a olho nú.
Jordana Braz
Jordana Braz
domingo, 12 de junho de 2011
Bilhete para Santo Antônio
Santo Antônio,
sei que nesta época do ano, o senhor é ameaçado por muita gente que quer um namorado ( ou namorada). No meu caso, só quero explicar o motivo que não te incomodo.
Já tive muita ânsia causada por amor até que um dia acabei vomitando tudo e desde então, aprendi a não me alimentar mais com porcarias. Ás vezes é óbvio, a gente vê alguém que nos dá vontade de provar um pedacinho. Mas há quem se contente apenas com aquele pedaço e há os gulosos que querem inteiro.
Eu me encaixo na segunda opção e sempre é um tormento: me empolgo e não dá certo. É horrível pois desarruma tudo que organizei com tanto empenho, sabe? Recomeçar sem ter um pé para trás é inevitável, porém, pode um dia aquele fio de esperança se soltar como um fio de roupa remendada de tão velha. É triste perceber isso, não se pode perder o controle quando só dançamos sozinho.
Por isso deixarei o senhor de cabeça para cima por mais um bom tempo.
Jordana Braz
sei que nesta época do ano, o senhor é ameaçado por muita gente que quer um namorado ( ou namorada). No meu caso, só quero explicar o motivo que não te incomodo.
Já tive muita ânsia causada por amor até que um dia acabei vomitando tudo e desde então, aprendi a não me alimentar mais com porcarias. Ás vezes é óbvio, a gente vê alguém que nos dá vontade de provar um pedacinho. Mas há quem se contente apenas com aquele pedaço e há os gulosos que querem inteiro.
Eu me encaixo na segunda opção e sempre é um tormento: me empolgo e não dá certo. É horrível pois desarruma tudo que organizei com tanto empenho, sabe? Recomeçar sem ter um pé para trás é inevitável, porém, pode um dia aquele fio de esperança se soltar como um fio de roupa remendada de tão velha. É triste perceber isso, não se pode perder o controle quando só dançamos sozinho.
Por isso deixarei o senhor de cabeça para cima por mais um bom tempo.
Jordana Braz
terça-feira, 31 de maio de 2011
To be Cool
Faça sua imagem bem bonita no facebook. Seja legal, diga que és aquilo que gostaria de ser e pronto, você existirá! Será legal ter um profile bonito, sabe? Ninguém vai saber que atrás de tanta intelectualidade, existe sempre um google que te auxilia. Opa, que tal trabalhar com moda? É, ser fotógrafo de moda é bacaninha, ser fotógrafo freelancer também. E que tal ser da belas artes? Poxa, super bacana também! Twittar sobre as polêmicas superpops, ser comediante de stand up, vegan e amar os animais. É o corte de cabelo vintage, são os filmes de Lars von Trier. É o curtir Caetano e o tropicalismo, ser bicho grilo. É o cabelo não lavado, é ser moderninho de xadrez, esconder a miopia atrás de óculos geek. É tudo aquilo que se constrói pela falta de senso. Eita consumismo barato, me deixa louca por ser parte sua! Me sinto suja por integrar somente, me sinto livre por apenas não ser de nada disto. Sou uma lataria, com o toque me percebo carne. E imagina se me percebesse pixel? Imagina se eu fosse o lado bonito da minha família?
Pior, não me imagino construindo uma imagem. Não dá para forjar um fato. Sem pose para as fotos, quero me olhar nos traços descontraídos. Quero ver como sou na prática, sou a teoria por dentro. Mas se perguntarem se eu existo, digo que irei pensar no assunto.
Jordana Braz
Pior, não me imagino construindo uma imagem. Não dá para forjar um fato. Sem pose para as fotos, quero me olhar nos traços descontraídos. Quero ver como sou na prática, sou a teoria por dentro. Mas se perguntarem se eu existo, digo que irei pensar no assunto.
Jordana Braz
sexta-feira, 20 de maio de 2011
O pequeno sentimento
É para acalmar o coração,
uma escrita e uma folha de papel.
Não há o que corrigir, o esboço é a obra em si.
Em mim,
delicado, imaturo, ágil e esguio.
Uma força do pensamento, uma paz que não experimento,
um reflexo de cada movimento que toca o chão sem fazer barulho
e distancia-se de tudo o que já fui.
É o tempo enrustido por solidão
e que tem o bordão mais sincero do mundo:
Antes só do que mal acompanhada.
Jordana Braz
uma escrita e uma folha de papel.
Não há o que corrigir, o esboço é a obra em si.
Em mim,
delicado, imaturo, ágil e esguio.
Uma força do pensamento, uma paz que não experimento,
um reflexo de cada movimento que toca o chão sem fazer barulho
e distancia-se de tudo o que já fui.
É o tempo enrustido por solidão
e que tem o bordão mais sincero do mundo:
Antes só do que mal acompanhada.
Jordana Braz
sábado, 9 de abril de 2011
Esmalte
O rosa colonial que preenche o espaço neutro de minhas unhas, o tom de rosa tutti-frutti do chiclete de minha infância e que são os mesmos tons, não os mesmo mas semelhantes, ao tom do rosa do lápis que usei para rabiscar algumas palavras. Talvez isso tenha feito meus sentimentos ficarem mais sossegados. É como se fosse um suspiro que tomasse forma, um descontentamento com as coisas que não estão direitas, uma cobrança de buscar por aquilo que ainda está em planos. A pressa de querer tudo para hoje, a boa sorte de primeira acertar, uma lacuna que se forma e se preenche apenas com a experiência de cair e levantar, um termo bêbado. Tudo vai bem para quem não está dentro de mim, tudo está morno para quem sou eu. Meus fragmentos de vida estão mornos, não há um sentido majestoso para tudo. Quando criança, o rosa tutti-frutti era o tom ideal para colorir minhas lngas unhas no dia em que eu fosse mulher, era uma sensação tão boa saber que um dia eu iria crescer e ter longas unhas. Era majestoso o encantamento que a minha mente tinha para quando chegasse esse dia. Hoje, se soubesse que somente ás vezes sentiria esse encantamento quando tivesse longas unhas, desejaria apenas viver em um encantamento eterno. Enfrentar demais a realidade é a verdade nua e crua, porém, a sensação que ela lhe causa, além do amadurecimento, é de estar diante de um abismo. (Jordana Braz)
terça-feira, 8 de março de 2011
Outros carnavais
Sentada sem postura, vejo a entrada da quarta-feira de cinzas e como queria eu poder espanar toda a camada grossa destas cinzas. Pulei carnaval, meu lado profano sequer mostra sinais de arrependimentos e meu lado sagrado não existe. Com os olhos entreabertos e um leve sono, sinto a madrugada gelada me tocar como se quisesse me levar até a cama e me fazer dormir. Boa quarta-feira e quisera eu espanar suas cinzas, essas de outros carnavais pois a recente tive aquele tipo de paz que é o sinônimo de liberdade. Já tive bons carnavais e os carnavais que saia para os blocos com um fio transparente chamado paixão; tola. O melhor é quando se sabe que esse fio só depende de nós mesmos para o corte. Desilusão corta tudo e os dias que sucedem são surpresas boas ou premeditadas. O mundo dá tantas voltas... e beirando o fim de noite, percebi que risada de ser ex é a risada mais gostosa que existe. É um misto de superação com vingança ou apenas a consequência, assim soa melhor e sem maldade também. Entre cochilos e bocejos, sinto que há alegria nestas cinzas, alegria de foliã, alegria de quem já amou e uma simples alegria semi-reciclável e por isso, sinto que algumas pessoas mudam mas pecam sempre pelos mesmos e já avisados pecados. Do meu bom riso mais cedo, percebo que não se pode apostar sempre no tradicional. O ato de apostar move a vida para a frente. Apostei comigo mesma se conseguiria ser melhor sem ele e consegui, consigo. Amor super bacana e moderninho já deu pra mim e não combina com minha folia. Hoje é quarta-feira de cinzas, a quaresma começa e essas tradições que não entendo seguem, colocando outra atriz no papel que já foi meu, o de mocinha sonhadora. No fim do carnaval pude rir sem vergonha de me sentir bem por perceber que já estou na frente daquela que um dia fui e que quem me fez mal lá atrás, paga com o seu próprio veneno... mas isso foi em outros já passados carnavais.
Jordana Braz
Jordana Braz
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